
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga as circunstâncias da morte de uma menina de 7 anos que, relatando fortes dores na barriga e na garganta, não teria recebido atendimento de plantonistas do Hospital Regional de Ceilândia, no Distrito Federal, e do Samu. O padrasto, o ajudante de eletricista Francisco Nascimento, diz que a mãe levou a criança ao local na noite de segunda e ouviu que deveria procurar outra unidade, porque não havia médico. A Secretaria de Saúde afirma não ter registro da chegada da garota ao local.
De acordo com a família, Yasmin da Silva Monteiro começou a reclamar de dores na madrugada de segunda. “Minha princesinha começou a sentir dor, um incômodo no estômago dela. Minha esposa a levou ao hospital por volta das 15h. Não veio um médico, uma enfermeira ao menos para dizer que não tinha médico. Não viram cara de médico nem de enfermeiro para dar informação. Foram os próprios pacientes que disseram que não tinha pediatra e [nos] recomendaram ir a Taguatinga”, conta o ajudante de eletricista.
Quando ele [médico do Samu] atendeu o telefone, disse que era coisa simples e falou que não valia mandar uma ambulância para aqui só por isso. Não quis nem passar o nome dele. Precisei chamar meu vizinho"
Francisco Nascimento, padrasto da menina que morreu após reclamar de dor
Temendo encontrar a mesma situação em outro hospital, a mulher decidiu voltar com a criança para casa e ligar para a mãe de uma colega de escola de Yasmin, que é médica. A profissional indicou um remédio para a menina, que se recusou a tomá-lo dizendo que sentia dor quando tentava engolir qualquer coisa. Ela só aceitou fazer gargarejo com chá de romã, para avaliar o desconforto na garganta.
“Aí minha mulher me ligou no trabalho e disse para eu ir direto para casa, que a bichinha não estava bem, estava doente, dodói da barriguinha”, lembra, emocionado, o padrasto. “Eu peguei o metrô na rodoviária [do Plano Piloto] e fui. Ela estava bem fraquinha, incomodada.”
“Quando ele atendeu o telefone, disse que era coisa simples e falou que não valia mandar uma ambulância para aqui só por isso. Não quis nem passar o nome dele. Precisei chamar meu vizinho”, afirma.Nascimento diz que o casal tentou acalmar Yasmin, mas que por volta de meia-noite ela bateu na porta do quarto e relatou dor intensa. O homem ligou então para o Samu falando da situação da garota e ouviu do médico que aquele não era o caso de ambulância.
Segundo a Secretaria de Saúde, o ajudante de eletricista se limitou a dizer ao profissional que a menina tinha dores abdominais e que, por isso, foi orientado a procurar o hospital.Yasmin foi levada para um hospital particular de Ceilândia e morreu poucas horas depois. Segundo médicos, ela sofreu uma parada cardíaca e não resistiu. O corpo passa por exame no Instituto Médico Legal, e não há previsão para liberação.
A mãe entrou em estado de choque e está à base de calmantes. O padrasto afirma que a irmã, de 6 anos, não entende ainda o que aconteceu.
“Ela fica perguntando se a ‘Min’ está na escola, quando é que volta. A gente diz que virou estrelinha no céu”, disse o homem, chorando. “É isso, não é? Ela virou estrela, agora foi para o céu, agora brilha só lá no céu.”
Ela fica perguntando se a ‘Min’ está na escola, quando é que volta. A gente diz que virou estrelinha no céu. É isso, não é? Ela virou estrela, agora foi para o céu, agora brilha só lá no céu"
Francisco Nascimento, padrasto da menina que morreu após reclamar de dor
Segundo a Polícia Civil, a previsão é que o resultado do laudo que apura a causa da morte saia em 30 dias. Em nota, a Secretaria de Saúde disse que havia um pediatra de plantão no horário em que a família diz que levou a menina ao hospital e que 20 crianças foram atendidas no período. "A pasta esclarece que o primeiro atendimento realizado pelo Samu foi realizado de acordo com as informações e sintomas repassados pelos pais da paciente", declarou. A secretaria não respondeu se também vai apurar a situação.
Fonte: Globo.com
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